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Por Diogo Catão – CEO Dome Ventures

Uma Venture Builder Govtech atua como sócia estratégica das startups em diversas frentes: com metodologia de buildagem própria (no caso em questão, focada em soluções para o setor público); inteligência de mercado; desenvolvimento estratégico e vendas; auxílio nos processos administrativos; mentoria; e apoio na captação de investimentos.

Tudo isso com o propósito de provocar uma transformação digital nas instituições públicas. É da natureza das startups começar com uma boa ideia e uma equipe enxuta. No início, poucos são os recursos e mínima é a estrutura para desenvolver o produto e os negócios.

Com as govtechs ainda existem algumas particularidades, como a questão da compra pública, que se dá por meio de licitação. Por causa desse elemento, o caminho dessas startups precisa ser bem pensado e auxiliado por especialistas na área governamental, e é justamente esse o papel de uma venture builder. Potencializar suas vantagens, dar visibilidade a elas e proporcionar que seus benefícios alcancem o setor público e a população de um modo geral é a missão.

A vantagem principal de uma startup govtech para o mercado e para a gestão pública é o ganho mútuo: tanto para o governo como para a sociedade. Com as govtechs, é possível um governo mais aberto, 100% digital e transparente para a população.

Por meio da tecnologia, por exemplo, é possível reduzir o uso de papel a quase zero, diminuir a emissão de carbono, deixar a economia mais sustentável e as cidades mais inteligentes – o que beneficia o cidadão, a gestão pública e o mercado.

No cenário internacional, é possível afirmar que o setor govtech pode alcançar 1 trilhão de dólares no mundo até 2025. Esses dados são de pesquisa feita pela base de dados global Nebula, administrada pela StateUp. Hoje, o mercado vale em torno de 400 bilhões a 500 bilhões de dólares. Ou seja, em um curto espaço de tempo, a estimativa é que esse número possa crescer muito. Isso diz bastante sobre o desenvolvimento do setor govtech a nível internacional.

Já no Brasil, o meio govtech ainda necessita de mais olhares para o seu desenvolvimento. Infelizmente, há pouca pesquisa e poucos dados relevantes sobre as govtechs no Brasil. Eles estão desatualizados, já que é um mercado em constante crescimento e transformação.

Um dos maiores players do mercado govtech do Brasil, a BrazilLAB, publicou, em conjunto com o CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina), um relatório sobre “As startups govtech e o futuro do governo no Brasil”. Porém, o levantamento foi publicado em 2020 e o cenário já mudou bastante de lá pra cá.

Sobre os resultados que as govtechs mostram no mercado, ainda não é possível mapear de maneira precisa, já que são empresas de capital privado que não estão na bolsa de valores. Porém, é possível perceber que novos canais de acesso estão disponíveis, que as empresas estão numa crescente e utilizam novas ferramentas, como o Marco Legal das Startups. Os meios tradicionais de contratação estão a pleno vapor, dando uma esfriada no segundo semestre devido, principalmente, ao período eleitoral.

Temos alguns bons cases brasileiros no cenário govtech, como a ESIG Group, que criou o sistema SIGAA, presente em mais de 30 universidades públicas no país; o Gesuas, que desenvolveu um prontuário online para assistência social e ficou em primeiro lugar no Ranking 100 Open Startups; e a 1Doc, que, com a proposta de reduzir o gasto com papel, já tem mais de 500 clientes espalhados pelo Brasil, entre prefeituras e órgãos públicos.

É possível notar que há um interesse cada vez maior em startups se tornarem govtechs e criarem soluções voltadas para o governo. Uma venture builder que é focada em govtech tem todo o know-how necessário para uma startup conduzir esse processo de transição, trazendo suas soluções, antes oferecidas apenas para o mercado B2B, também para o B2G. Assim, é possível ser otimista com essa transformação digital.

Vamos observar os próximos anos e ficar atentos para os grandes avanços do setor govtech e o que de mais relevante essas startups vão proporcionar para a gestão pública e para a sociedade.

Artigo originalmente publicado em coluna no portal Startupi, no dia 24/07/2022: https://startupi.com.br/govtech-venture-building/

Por Diogo Catão – CEO Dome Ventures

A digitalização dos processos, o armazenamento em nuvem e o desenvolvimento de ferramentas como a Internet das Coisas, fazem com que, cada vez mais, as empresas precisem armazenar, em servidores, seus dados e de seus consumidores. Mediante aos avanços da digitalização, o debate acerca da proteção de dados e informações ganhou mais notoriedade, e com isso a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) foi implementada para estabelecer um padrão nas normas de segurança.

A cibersegurança nada mais é do que uma proteção de sistemas de computador contra roubo, danos ou acesso indevido. Não só a parte de dados como a questão de hardware, tudo que possa causar interrupção ou entrada indevida de usuários. É uma temática extremamente importante, porque é lei, então devemos cumprir pela boa execução dela.

Ao se atacar o site de um órgão ou entidade pública muitos riscos vêm à tona. Afinal, é extremamente delicada a questão de ter acesso a um banco de dados com uma infinidade de informações que podem levar a diversos crimes: coleta de dados para um ataque direcionado a uma pessoa, utilização desses dados para enganar empresas, fazer extorsões ou abrir contas em outros bancos. Tudo depende do intuito do invasor, por isso é necessário ter bastante cuidado em relação a vazamentos, como exposição de dados sensíveis que podem ser utilizados para comercialização no mercado da deep web ou em alguma ação relacionada.

Invadir um site ou órgão público com o qual se difere politicamente também pode ser um pretexto. Isso, geralmente, se dá com equipes de profissionais que são extremamente qualificados para fazer ataques sem deixar rastros.

Ademais, precisamos nos proteger de difamações, ameaças tecnológicas, que são os próprios vírus, bugs, defeitos técnicos de invasão na web, sabotagens, fraudes de próprio erro humano ou um descuido e senhas compartilhadas.

Tudo que mencionei até agora é num contexto geral. Colocando em foco as govtechs, startups que têm como propósito gerar inovação para a gestão pública, possivelmente sejam mais atrativas aos hackers por conterem dados extremamente sensíveis, como os oriundos da declaração do Imposto de Renda. Assim como dados de bancos, empresas de sistema financeiro, que tratam com essa sensibilidade, as govtechs têm dados do governo também, que podem ser comercializados e, dessa maneira, prejudicar pessoas, empresas e até mesmo os próprios órgãos públicos.

Para evitar isso, é preciso adotar controles físicos, tecnológicos e humanos personalizados que viabilizem a administração dos riscos e criem um nível de segurança adequado ao negócio, à instituição pública. É difícil, mas não é impossível evitar os ataques cibernéticos. Adotar medidas como realizar um mapeamento, uma matriz de risco e identificar o que se pode fazer; criar objetivos de segurança; garantir a consistência de dados, prevenindo a criação não autorizada e alteração de instituição de dados; garantir a legitimidade dos usuários e tantas outras formas são viáveis.

Investir nessas áreas é o caminho que vai garantir a confidencialidade, integridade, disponibilidade, autenticidade e a legalidade, pilares da segurança da informação na sua empresa, seja ela uma govtech, ou não.

Por Diogo Catão – CEO Dome Ventures

Segundo pesquisa do BrazilLAB, existem ao menos 135 startups que podem ser enquadradas como govtechs nos critérios do estudo; 80 delas são consideradas mais relevantes porque já estão inseridas em algum governo ou se mantêm desenvolvendo trabalhos em determinado órgão de maneira recorrente. 

Com esse movimento, percebemos uma tendência na descentralização da governança nas instituições públicas. Essa ação se revelará ainda mais com a participação ativa de startups, instituições e demais setores nas tomadas de decisões. Não à toa, um estudo da ABStartups mostrou que, das 13 mil startups estimadas no ecossistema brasileiro, quando questionadas sobre o público-alvo que buscam alcançar, 31 se denominam como empresas B2G/B2Gov e 9 sinalizam interesse em trabalhar com o governo.

Para os investidores, o desenvolvimento e progresso dessas empresas se refletem tanto no retorno econômico, com a geração de impacto social, como também no retorno do investimento financeiro, com potencial de alcançar faturamentos elevados. Isso faz com que esses players continuem investindo e fomentando novas ideias, gerando um ciclo virtuoso.

Em médio prazo, as govtechs que já possuem soluções desenvolvidas, podem aplicá-las visando o benefício da população de um município, ou de qualquer outro órgão público. Essas startups devem promover serviços essenciais, melhorando a qualidade de vida, o bem-estar e/ou a saúde da sociedade. 

Sob o ponto de vista de quem empreende e cria uma govtech, encontram-se diversas oportunidades no segmento, ao passo que se constatar obstruções, pode enfrentá-las criando um campo de novas metodologias e oportunidades. Consequentemente, essas ações irão gerar mais oportunidades de negócios para impactar o setor público e a população.

Para quem tem interesse na criação de uma govtech, deve-se levar em consideração os mesmos passos para desenvolver qualquer empresa. Mas ressalto aqui três dicas importantes:  

1 – A percepção dos problemas e a identificação de qual tecnologia pode colaborar para uma  solução. A diferença é que essa percepção deve ser direcionada à esfera pública (municipal, estadual ou federal);

2 – Estar presente nos desafios que são lançados constantemente pelo próprio poder público. Assim, é possível conseguir as primeiras validações da solução, como também apurar se aquilo que o founder pensou, de fato, é relevante e tem capacidade de gerar valor para o setor e a sociedade;

3 – Por fim, é importante se conectar com parceiros estratégicos do próprio segmento, como incubadoras, govtechs, venture builders ou aceleradoras que atuam no desenvolvimento do mercado. Em conjunto com esses parceiros, a nova govtech pode replicar a solução em outros municípios ou estados para se desenvolver, crescer e escalar. 

Criar uma govtech envolve uma vantagem principal: o mercado em expansão à frente, com muito a ser explorado e recursos financeiros. Entretanto, para uma startup desse segmento se tornar relevante, é necessário validar se o problema encontrado é compartilhado por diversos municípios e/ou estados. Ou seja, é preciso constatar que a sua solução é replicável em diversos cenários.

Por fim, meu principal conselho para quem deseja ingressar nesse ecossistema: não tenha medo de inovar. O setor govtech é um mercado em ascensão que precisa de novas soluções. As esferas públicas demandam soluções tecnológicas, mas principalmente, a sociedade necessita de agentes transformadores que promovam bem-estar, serviços de qualidade e afastem a burocracia do caminho.

Artigo originalmente publicado em coluna no portal Startupi, no dia 24/07/2022: https://startupi.com.br/inovacao-sem-medo-tres-dicas-para-criar-uma-startup-govtech/

Por Diogo Catão – CEO Dome Ventures

Os Investor Days são eventos completos que unem empresas com potenciais investidores e formadores de opinião, como jornalistas e analistas do segmento, com o objetivo de criar conexões e apresentar e conhecer produtos, serviços e soluções do mercado. 

Pensando em eventos dessa categoria sob o viés de startups, eles são a oportunidade perfeita para que o CEO, ou outro profissional envolvido, apresente a empresa e mostre seus pontos fortes e diferenciais para possíveis investidores, em um formato rápido e dinâmico. 

Um Investor Day é importante para todos os envolvidos. Para os investidores, é a oportunidade de conhecer novas possibilidades de negócios, examinar minuciosamente cada aspecto daquela oportunidade, tirar dúvidas e fazer networking com os profissionais envolvidos naquela solução, dali já podendo obter um acordo entre as partes e gerar uma sociedade lucrativa. É válido lembrar que o desenvolvimento das startups e o progresso delas refletem no retorno do investimento, fazendo com que esses players continuem investindo e fomentando novas ideias, o que gera um ciclo virtuoso.

3º Investor Day Govtech-04

Do ponto de vista da startup, o evento coloca sua solução à prova. No Investor Day, é possível avaliar a importância da sua solução, ouvir críticas, sugestões e comentários sobre como é possível otimizar seu negócio, gerar networking com players do mercado e, principalmente, encontrar investidores que vão atribuir capital na empresa.  

Puxando para o lado das venture builders, o encontro vai além. É possível contar com a inteligência estratégica de experts do setor e de investidores para atrair startups com potencial para o portfólio, além de despertar novos olhares do mercado, gerar buzz e aproximar novos interessados em fazer aportes na empresa. Como cereja do bolo, a conferência chama a atenção e o interesse de stakeholders – ou seja, um público qualificado e impactado pelas ações da sua empresa. Por exemplo, setores atrelados ao governo, se for uma govtech, ou à saúde, no caso das healthtechs, ou à agricultura, para as agritechs, e assim por diante.

Os benefícios dos Investor Days são enormes e podem reverberar em curto, médio e longo prazo. Em um cenário próximo, é possível atrair investidores para as startups participantes do evento, que terão a oportunidade de aprimorar o próprio negócio. Pensando em médio prazo, essas startups, uma vez com uma solução desenvolvida, podem aplicar as alternativas encontradas e beneficiar a população de um município, por exemplo, se for uma govtech. Por fim, ela pode fazer da sua solução um serviço essencial, melhorando a qualidade de vida, o bem-estar e/ou a saúde da população, em um longo período. 

Terceiro Investor Day Govtech

Vejo os Investor Days como caleidoscópios: é possível ver uma solução por diferentes perspectivas. Afinal, a ideia é que em eventos como esses participem experts de setores variados e que essas pessoas tragam consigo visões e percepções de outros aspectos do negócio, além de sugestões e provocações que podem despertar ideias e novos caminhos para as startups, estimulando o pensamento crítico e a criatividade – características fundamentais em empreendedores.

Artigo originalmente publicado em coluna no portal Startupi, no dia 24/06/2022: https://startupi.com.br/2022/06/cultura-investor-day-por-que-promover-eventos-de-captacao-de-startups/

Por Diogo Catão – CEO Dome Ventures

As cidades inteligentes (Smart Cities) visam dar respostas às necessidades sociais e econômicas da população para melhorar a eficiência operacional, compartilhar informações com o público e melhorar a qualidade do serviço governamental e bem-estar do cidadão. Isso tudo, em diversas camadas que precisam ser atingidas para que se possa alcançar os resultados esperados. 

Existem indicadores que estão sendo construídos para avaliar o nível de inteligência dos municípios e saber quais deles se encaixam como cidades inteligentes. Isso varia de país a país, mas de uma forma geral o que faz a cidade ser inteligente é a questão de governança, administração pública, planejamento urbano, tecnologia, meio ambiente, conexões internacionais, coesão social, de capital humano e claro, a economia. 

Então, são avaliadas todas essas dimensões e no final uma pontuação é dada para classificar se a cidade atingiu um indicador satisfatório e analisar se aquela é, de fato, uma smart city. 

As cidades inteligentes facilitam a vida em sociedade e a gestão pública como um todo, melhorando, desde a qualidade do serviço na área governamental, o bem-estar do cidadão até a eficiência operacional das medidas implementadas.  

Essas ações visam trazer diversas vantagens, a exemplo de semáforos conectados que recebem dados de sensores, de ambulâncias e carros, para ajustar a cadência; sensores instalados para monitorar esgotos, o índice das chuvas e de alagamentos; latas de lixo inteligentes que enviam dados, automaticamente, para as empresas gerenciarem a coleta dos resíduos e agendá-la no período adequado.  

A questão das cidades inteligentes também está vinculada a uma cidade sustentável, então elas são projetadas pensando nos impactos socioambientais positivos que podem gerar, cuidando sempre dos recursos naturais do planeta. 

E como as govtechs podem ajudar na construção de cidades inteligentes?

Essas startups, que criam soluções para o setor público, atuam facilitando os processos de administração governamental e trazem novas soluções para transformar os meios de se organizar as ações necessárias para servir a população. É papel dos governos estarem atentos às demandas sociais e nada mais eficiente do que se valer da tecnologia e soluções inovadoras para a solução desses problemas. 

Quando se fala em cidades inteligentes, principalmente no cenário brasileiro, existem alguns pilares estratégicos que as startups govtechs devem estar focando: a questão governamental, gestão e planejamento, instituição, cidadão e infraestrutura urbana. São tópicos basilares para a construção das smart cities.  

Em curto prazo, podemos esperar um caminho em que as govtechs tenham como objetivo tornar as atividades do município mais práticas, rápidas e seguras, beneficiando toda a população. De uma forma mais abrangente, as govtechs podem ajudar de maneira imediata nas áreas de segurança, governança, saúde, economia, saneamento e mobilidade. 

Nessas vertentes, soluções estão sendo desenvolvidas e aperfeiçoadas para gerar cada vez mais uma governança digital descentralizada, em que o governo atue em parceria com as govtechs.  

Já quando se fala em longo prazo, enxergamos a jornada para criar cidades cada vez mais sustentáveis, mais combativas à corrupção, na resolução de problemas socioambientais e de eficiência fiscal, transparência, além de toda a questão de transformação urbanística e tecnológica.  

A legislação vem avançando bastante, principalmente com o marco legal de startups. Esse marco criou o Contrato Público de Solução Inovadora  (CPSI), que facilita que as soluções govtech avancem de maneira bastante efetiva, com um desenvolvimento de tecnologias que visam melhorar as cidades inteligentes. 

O cenário é bastante promissor e podemos esperar muitas soluções inovadoras para transformar a vida nas nossas cidades nos próximos anos.

Artigo originalmente publicado em coluna no portal Startupi, no dia 14/04/2022: https://startupi.com.br/2022/05/o-papel-das-govtechs-na-construcao-de-cidades-inteligentes/

Por Diogo Catão – CEO Dome Ventures

A BrazilLAB estima que existam 80 startups que se destacam no segmento de govtechs atualmente. Em linhas gerais, esse setor é muito perene, a arrecadação não diminuiu o valor dos impostos. As instituições públicas, prefeituras e governos estaduais estão menos propícias ao impacto econômico, pois ainda vemos empresas privadas quebrando, mas elas continuam se mantendo e, inclusive, crescendo a demanda de soluções govtech no país.  

A questão é que cada vez mais encontramos tendências. Um governo mais aberto se incorporando ao digital, mais transparente com o cidadão. Além disso, as cidades estão buscando mais conectividade, a fim de proverem melhores soluções e agilidade de serviços à população.  

Para acompanhar esse movimento será necessário mão de obra qualificada, e por vezes ela é escassa dentro do poder público. Por isso, muitas instituições públicas estão, cada vez mais, buscando a descentralização da governança, com participação mais ativas das startups. Assim, podemos perceber uma grande oportunidade de investir em uma govtech, e possibilitar o surgimento de novo negócios. 

As govtechs também quebram-01

No entanto, como nem tudo são flores, existem riscos nessa seara. Muitos deles são inerentes ao próprio negócio, e no caso das startups, tem a questão do modelo do segmento, precificação, gastos e se ela atingiu o ponto de equilíbrio. Somados a esses riscos, as govtechs têm uma questão de burocracia maior quando falamos do setor governamental, em se tratando da formalidade, além de o medo de se associar a um órgão público ou ser taxado de corrupto. A boa notícia é que existem diversas formas de mitigar esse risco, pois muitos deles são inerentes à jornada de qualquer startup. 

Evitando o pior cenário

Uma startup govtech tem que ter todos os cuidados que uma tradicional, por assim dizer. Precisa estar bem financeiramente falando, administrar o quanto se está gastando mensalmente, faturando com estrutura, despesas, etc. Tudo isso é intrínseco a qualquer modelo seguido.  

Ainda quando se fala em govtech, basicamente só o cliente muda, e ele é o governo, que se trata de prefeituras, Câmaras Municipais e tudo mais. Esse tipo de contrato se dá por análise técnica que vai estar escrita no escopo do termo de referência dos processos licitatórios, então o respaldo é puramente técnico: capacidade de entrega, prazo de entrega dentro do período acordado, entre outros. Mas não se deve ter a mentalidade de buscar uma prefeitura/estado para evitar a quebra simplesmente, e sim para prover soluções.   

As govtechs também quebram-02

Do contrário do que se imagina, por estarem ligadas ao poder público, as govtechs têm o mesmo risco que as demais. O Life Time Value (LTV), por exemplo, é um indicador muito importante para uma startup, que se refere a quanto ela capta recursos dentro de uma base de clientes ao longo de um período. A relação dos Custos de Aquisição de Cliente com o LTV no cenário govtech é muito positiva, comparada a um B2B, ou a um B2C. Porém, poderia correr o risco se, eventualmente, ela saísse um pouco da linha das boas práticas de mercado de compliance. Mas se fizer tudo como manda o script a tendência é dar certo.  

Por isso, o cuidado financeiro, a atenção com a equipe e o fato de prover uma solução para um déficit significativo de alguma instituição pública, sempre buscando a escalabilidade, são fatores-chaves de sucesso para manter a saúde da startup e prosperar.  

Artigo originalmente publicado em coluna no portal Startupi, no dia 20/04/2022: https://startups.com.br/artigo/artigo-as-govtechs-tambem-quebram-como-impedir-isso/

Por Diogo Catão – CEO Dome Ventures

Sustentabilidade. se não é, já deveria ser uma prática das empresas. A questão ambiental, hoje, é recorrente e forte entre as pessoas, instituições e na esfera pública. Um exemplo são as preocupações climáticas, como a Cop 26 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), em que diversos líderes e chefes de estados se reúnem para entrar em comum acordo acerca de desafios envolvendo o meio ambiente. Estes devem ser transformados em metas para as nações, que devem replicar e monitorar cada uma delas.  

No Brasil temos nossas metas e desafios, além de preocupações ambientais, como o desmatamento ilegal, que precisa ser erradicado. Tem a questão de restaurar e reflorestar milhões de hectares por ano, incentivar uma maior participação de energias renováveis e tantos outros. 

Govtechs e meio ambiente-01

A verdade é que precisamos minimizar essas questões ambientais, e para isso existe um conjunto de ações e medidas que podem ser tomadas justamente para favorecer algumas áreas como: comércio sustentável; conservação florestal; políticas agrícolas; programas para reduzir a fome, beneficiar o meio ambiente, facilitar o financiamento para reverter penas e degradação florestal; e assim, acelerar a transição para uma economia cada vez mais verde.  

Tais práticas procuram mitigar o impacto nocivo em relação ao que as pessoas têm quando o assunto é o meio ambiente. Sobre a redução de emissão da atividade pecuária, por exemplo, já existem estudos que conseguem a melhoria da alimentação para o ciclo pecuário, e assim é possível reduzir de três anos e meio para dois anos, o que, dentre tantos impactos, reduz as emissões de metano, contribuindo para com o meio ambiente. 

Nesse cenário, onde iniciativa privada e serviço público se encontram, as govtechs – startups que têm como propósito gerar inovação para a gestão pública – atuam enfrentando desafios relacionados a essa temática, e monitorando eventos como a Cop26, para prover soluções cada vez mais atualizadas e modernas no sentido da preservação do meio ambiente.

Aliadas às govtechs, existem diversas tecnologias e ferramentas que podem ser utilizadas para um desenvolvimento cada vez mais sustentável, como a digitalização de documentos, prática já muito adotada pelas prefeituras, que diminui ou quase zera o uso de papel. A digitalização, além de ajudar o meio ambiente, reduz os custos com despesas, já que a economia fica em torno de 90% do que era gasto com papéis.  

Portanto, a conectividade dos objetos, a Internet das Coisas – IoT, a automatização dos processos, a economia compartilhada, tudo isso visa o desenvolvimento sustentável. Quando se pensa em ferramentas, quase todas elas podem ser utilizadas para o “progresso verde”. Cabe ao perfil do gestor detectar o desafio em uma determinada cidade ou estado e adaptá-lo. É possível também utilizar da cloud computer, dados da parte de BI analytics, sistema de gestão, cibersegurança, inteligência artificial, automação de processos e tantos outros. 

Cada vez mais as cidades estão inteligentes com objetos conectados a elas, e esse é o grande ponto de convergência. As soluções estão mais próximas de nós, e com as govtechs conseguimos impactar positivamente o meio ambiente devido às vantagens que elas trazem.

Artigo originalmente publicado em coluna no portal Startupi, no dia 20/04/2022: https://startupi.com.br/2022/04/govtechs-e-meio-ambiente-como-as-startups-podem-contribuir-com-a-sustentabilidade/

Por Diogo Catão – CEO Dome Ventures

Com o crescimento das govtechs no Brasil, considerando apenas o governo federal, em 2020 houve aumento de mais de 18% em contratos de serviços de tecnologia da informação (TI), somando o valor de R$ 2,5 bilhões, segundo dados da Effecti. No mundo, a Alemanha está injetando 500 milhões de euros para digitalizar todos os processos administrativos até o fim deste ano; já a França tem como meta digitalizar seus 250 principais processos, também até terminar 2022.  

Em nível nacional, há 80 govtechs que atuam de maneira massiva junto com o governo, segundo relatório do BrazilLAB. A tendência é que essa esfera cresça cada vez mais, tendo em vista que há diversas soluções implementadas em estados e municípios que não entram nessa soma. 

Uma tendência que pode ser observada é a descentralização da governança nas instituições públicas. Essa ação se revelará através de uma participação mais ativa de startups, instituições, setores e da participação pública nas tomadas de decisões. 

Sendo assim, quando antes havia um veredito de uma equipe praticamente interna, a tendência é que haja progressivamente mais parcerias com outros setores. Esse movimento impacta diretamente o desenvolvimento e o futuro das cidades. 

Gargalos e oportunidades da esfera govtech-01

Pensando nessa propensão, novas competências vão ser exigidas para os atores desse desenvolvimento. Desta forma, cada vez mais pessoas vão adquirir mais habilidades, para que consigam atender às novas demandas de mercado.  

Existe uma infinidade de ferramentas que podem alavancar esse conhecimento, algumas delas são: Cloud Computing, cibersegurança, Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial, entre outros. Nesse ponto abordamos mais termos técnicos, entretanto é preciso um conjunto de outras competências. 

Nesse cenário, outros know-hows serão desenvolvidos e trabalhados de forma natural, seguindo as novas demandas que vão surgir. A tendência é que novas soluções despontem e se aperfeiçoem de acordo com o avanço tecnológico do setor público e consequentemente das cidades. Desse modo, espera-se cidades cada vez mais conectadas e inteligentes, o que pode se dar através da Internet das Coisas (IoT), além de almejar-se no futuro um governo mais distribuído, através de parcerias com startups govtech. Por isso a importância do desenvolvimento e da atualização desse setor, que deve gerar bons frutos. 

Desafios para govtechs

Mas ao longo do percurso, nem tudo são flores. Nesse mercado, assim como nos demais, também existem alguns desafios que precisam ser superados. Algumas dificuldades enfrentadas são o excesso de burocracia e as formalidades em diversas organizações públicas. Essas barreiras acabam afastando empreendedores com mentes brilhantes, que preferem atender à iniciativa privada em vez da pública. 

Outros tabus também são vistos no mercado govtech, como o medo de se associar à imagem de corrupção. O poder público no Brasil tem essa reputação, e ela precisa ser mais bem trabalhada. Algumas startups optam por não se envolver em negociações públicas, impossibilitando que muitas demandas que seriam importantíssimas para o governo e população existam.  

Além dessa descrença em relação aos governantes, o cenário político brasileiro também é bastante instável, tornando esse ponto outro obstáculo para o desenvolvimento do segmento govtech. Exemplos disso são a crise sanitária da covid-19, o conflito entre Ucrânia e Rússia e os desdobramentos que isso pode gerar. Isso tudo sem contar as adversidades já conhecidas do cenário brasileiro, como a desigualdade econômica e social, bem como a exclusão digital.  

Gargalos e oportunidades da esfera govtech-02

Essas incertezas mexem com a concepção do empreendedor e o faz questionar: será que vale a pena investir no setor público? Acredito que sim! Há progresso com os avanços tecnológicos e que as govtechs chegam com o propósito de desenvolver mais a sociedade, através de cidades mais inteligentes, redução de burocracia e processos mais eficientes. 

Os empecilhos e desafios estão aí para serem vencidos, e investir nas govtechs é uma das soluções, uma vez que elas visam facilitar os processos, dar mais transparência às ações do governo, gerar eficiência maior na máquina pública e impactar positivamente a sociedade. Somado a isso, a transparência e a comunicação assertiva geram melhor governança e contribuem para vencer os desafios, que é a grande virada para quem empreende.  

Conforme o empreendedor de govtechs constatar que há obstruções no setor, pode propor enfrentar esses problemas, criando um campo de novas soluções e oportunidades.  O ator dessas soluções deve aproveitar essa janela de oportunidade para estudar e criar soluções a fim de tornar o órgão em questão mais eficiente e, consequentemente, gerando chances otimistas de negócios.  

Outro destaque são as prefeituras que publicam editais, com problemas que enfrentam, para chamada de soluções apresentadas por startups, como é o caso do “Desafio COR”, promovido pelo Centro de Operações da Prefeitura do Rio de Janeiro. É um nítido exemplo da iniciativa privada e do poder público em atuação e parceria.  

Com tudo que foi exposto, é evidente que, nacional e globalmente, as govtechs têm um potencial enorme. De acordo com a consultoria McKinsey, o segmento internacional de govtechs já movimenta US$ 400 bilhões por ano, e até 2025 pode chegar a US$ 1 trilhão de faturamento. O setor é grande e ainda vai crescer, tendo em vista que há oportunidades para melhorias nos níveis municipal, estadual e federal. 

Artigo originalmente publicado em coluna no portal Startups, no dia 22/03/2022: https://startups.com.br/artigo/artigo-gargalos-e-oportunidades-da-esfera-govtech/

Por Diogo Catão – CEO Dome Ventures

No período de 2001 a 2010, o número de universitários no país deu um salto, e continua crescendo. De acordo com a Associação Brasileira de Estágios (ABRES), atualmente os estudantes somam mais de 8,7 milhões, sendo mola mestra para o futuro.

Transformação e inovação são palavras de ordem no meio universitário. Além da absorção do conhecimento teórico, na vida acadêmica os estudantes precisam desenvolver habilidades e competências que vão ser usadas no seu futuro. É preciso expandir os horizontes e ter uma visão mais ampla, pois o mercado de trabalho está cada vez mais acirrado e inovar pode ser o ponto de partida.

Voltando duas casas, eu diria que esse ponto de partida deveria começar antes mesmo da universidade. O ensino de programação e bases de tecnologia nas escolas é um ponto muito pertinente nos tempos atuais. Hoje, as crianças já nascem e crescem imersas aos meios virtuais e digitais, rodeadas por inúmeros aparatos tecnológicos. Por ter se tornado tema tão relevante na vida das pessoas como um todo, atingindo desde a esfera profissional até a pessoal, acredito que se mostre disciplina indispensável para a matriz curricular das escolas, tendo sempre respeito aos níveis e ritmos das crianças. Mas o contato da criança com a tecnologia se dá desde nova.

Inovação no segmento universitário-01

Quanto mais cedo a criança tiver contato com essa matéria, para entender as dinâmicas dos algoritmos e o que há por trás do funcionamento da tecnologia, mais ela se prepara para um futuro bem próximo. O mercado de trabalho tem uma demanda enorme para essa área, que não consegue suprir.

Hoje, nós conseguimos ver pessoas programando independentemente da área em que atuam – médicos, engenheiros, advogados, gestores etc. É como se a tecnologia passasse a ser um setor transversal a todos os outros. Porém, é importante lembrar que isso depende muito do acesso de cada pessoa, do poder aquisitivo das escolas e da capacidade para manter os recursos tecnológicos necessários para o ensino. Por isso, essa deve ser questão essencial a ser trabalhada pelos governos, através de projetos, políticas públicas e reformas.

Voltando às universidades, as formas de aplicação do conhecimento adquirido na academia são múltiplas, já que é possível empreender dentro da área, transformar sua ideia em uma solução real para a sociedade, entre outros. A educação é um ponto de partida para proporcionar uma base para o desenvolvimento pessoal e profissional dos estudantes e a inovação está diretamente ligada à educação.

Independente de qual caminho o estudante resolver seguir, possuir conhecimento sobre os processos de inovação vão lhe conferir habilidades e noções para ter um diferencial na carreira, pois, cada vez mais, o mercado de trabalho tem cobrado expertises diversas e novidades tecnológicas que surgem aos montes com uma velocidade altíssima. É importante antecipar esses movimentos e aprender os processos necessários para estar preparado para os inúmeros caminhos desconhecidos que podem surgir pela frente e que vão requisitar não só conhecimento na bagagem, mas inovação dentro do que se tem, diante do cenário apresentado.

Embora a teoria seja importante, a parte prática da inovação vem conforme o desenvolvimento da carreira. Durante o curso, os alunos podem ter contato com disciplinas de inovação, conforme a grade curricular, mas é fundamental para os estudantes se prepararem para os principais desafios que vão enfrentar ao longo de sua trajetória, principalmente no início, seja qual for a área. São incontáveis as soluções inovadoras que surgem por ano e que ajudam no desenvolvimento da carreira e na rotina de trabalho de cada profissional.

O mercado de trabalho busca profissionais cada vez mais plurais e a inovação ajuda no desenvolvimento das competências buscadas, como habilidades com softwares específicos para as tarefas, conhecimento básico em programação, capacitação em metodologias ágeis, novos modelos de negócios, aplicações móveis etc.

Cada área tem suas particularidades, mas aqui podemos mencionar, também, algumas inovações que estão bem presentes nas rotinas das empresas e órgãos públicos: ferramentas de gestão de processos e projetos para profissionais de marketing, recursos humanos e escritórios de uma forma geral; plataformas de gestão financeira, que ajudam os profissionais administrativos a não deixarem passar nenhuma informação relevante na hora de compras e pagamentos; softwares de força de vendas para equipes comerciais; plataformas de educação online, que transformou a forma de se transmitir conhecimento; equipamentos de última geração para as áreas de TI, fotografia, vídeo, design, entre outros. São incontáveis as soluções inovadoras que surgem por ano e que ajudam no desenvolvimento da carreira e na rotina de trabalho de cada profissional.

Além do que, algumas habilidades inovadoras não são técnicas, mas comportamentais e emocionais, muito necessárias no perfil do profissional, as chamadas soft skills. Com o seu desenvolvimento, é possível aumentar a produtividade de um time, reduzir custos com rotatividade no quadro de trabalhadores, evitar conflitos e melhorar o clima organizacional. Algumas delas são: inteligência emocional, autogerenciamento, gestão de tempo, capacidade para resolução de problemas, boa comunicação e relacionamento interpessoal, pensamento crítico, perfil analítico, entre outras.

Em resumo, o ambiente acadêmico dá as ferramentas necessárias para o início do desenvolvimento profissional da pessoa. Com as bases para a inovação formadas, os horizontes se expandem para novas oportunidades. A inovação traz oportunidades de desenvolvimento pessoal: estímulo à criatividade, iniciativa, networking e gestão de recursos. Incentivar a geração de novas ideias e uma mudança de atitude e de hábitos para a entrega de resultados ainda melhores é quase uma regra para o futuro do trabalho. Profissionais que tenham amadurecido suas soft skills terão destaque.

Inovação no segmento universitário-02

Na esfera empresarial, a inovação traz muitas possibilidades quando falamos de desenvolvimento de novos produtos e serviços. Também ajuda a promover novos modelos de negócios e melhora os processos para tornar mais fácil a vida dos trabalhadores.

Já na esfera pública, temos vários desafios para enfrentar, a exemplo de pressões fiscais contínuas, expectativas sociais crescentes, questões de políticas públicas mais complexas, então, há necessidade crucial de aumentar o nível de inovação no setor público e gerar mais soluções para as demandas da sociedade. A tecnologia é uma grande aliada nesse processo e pode ajudar, como vêm fazendo as govtechs (startups focadas no setor público), por exemplo.

Em paralelo, um caminho de inovação é o do empreendedorismo. Empreender é praticável em todas as áreas de estudo. Aliando criatividade, espírito transformador, tecnologia e conhecimento técnico, é possível desenvolver novos serviços e produtos inovadores dentro de cada nicho, e isso pode ser desenvolvido e passado à teoria em sala de aula, mas nem todos os alunos absorvem ou têm esse perfil. A inovação tem o potencial de abrir portas que podem ser transformadoras para o futuro, basta ir atrás.

Artigo originalmente publicado em coluna no portal Ser Universitário, no dia 22/03/2022: https://seruniversitario.com.br/mercado-trabalho/inovacao-no-segmento-universitario-por-onde-comecar

Por Diogo Catão – CEO Dome Ventures

As startups chamadas ‘govtechs’ nasceram com o objetivo de trazer inovação para a gestão pública e auxiliar na economia de recursos públicos por meio de soluções tecnológicas. Elas vêm em uma crescente, visto que, segundo a ABStartups (Associação Brasileira de Startups), atualmente há no país 135 startups que se encaixam nesse modelo de atuação.  

Muitas vezes não se associa tecnologia com governo. As startups são, por sua natureza, empresas que usam de tecnologia, inovação, metodologias ágeis e novos modelos de negócio para resolver problemas específicos. Inseridas nesse ecossistema, as govtechs são startups que criam soluções focadas nos problemas do setor público. 

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A partir disso, são desenvolvidas soluções para inúmeras questões e desafios enfrentados, diariamente, que facilitam e agilizam o contato do cidadão com o governo, e as entregas dos serviços públicos para a sociedade. Ilustrando isso em termos de tecnologia, há plataformas de comunicação omnichannel, sistemas de cibersegurança para a proteção e privacidade dos dados dos cidadãos, aplicativos de monitoramento e alerta em casos de emergência, sistemas que criam ambientes virtuais para o aprendizado de forma remota, ferramentas de gestão de atendimentos em postos de saúde, clínicas e hospitais e tantas outras.  

Tendências para o futuro de soluções Govtechs

Colocando em perspectiva, há ainda muitas novidades para chegar. Entre elas, as soluções para o Governo Aberto, promovendo a descentralização e o acesso a dados e transparência ao cidadão. Assim, sistemas e plataformas de dados, com dashboards visuais, vão auxiliar na tomada de decisões, participação social e combate à corrupção. A disponibilização e a transparência dos dados empoderam a população na identificação de como os governos podem melhorar seus serviços e encoraja a participação dos cidadãos em deliberações democráticas, esforços de planejamento comunitário e criações de políticas públicas. O intuito do Governo Aberto é habilitar a população para que ela consiga visualizar, em tempo real, tabelas e gráficos visuais das informações públicas. 

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Outra novidade que vem sendo aguardada e estudada é o metaverso, uma espécie de ambiente virtual imersivo, que une o físico ao digital de forma coletiva e proporciona possibilidades que quebram barreiras para a inovação e avanços em diversas frentes da sociedade, como o futuro do trabalho, saúde, educação, comunicação e em várias outras questões de impacto social.

Por falar em impacto social, cada vez mais soluções vão nascer com o propósito de combater as mudanças climáticas e a destruição de recursos naturais, pensando sempre no desenvolvimento sustentável. Assim, temos startups que pensam em formas de contribuir para o consumo racional e a distribuição de energia através de fontes renováveis, como a energia solar, eólica e de biodiesel. 

Com fartura de tecnologias, é difícil prever uma que seja mais inovadora para ser utilizada nas govtechs, uma vez que isso varia conforme as necessidades apresentadas pelas instituições públicas e o orçamento disponibilizado.  

Inovações que o ecossistema Govtech pode oferecer para a sociedade

Uma das possíveis soluções inovadoras para atenuar os problemas de escassez de fontes de energia elétrica, degradação do meio ambiente e altos preços pelas concessionárias, atualmente, seria uma plataforma de marketplace de energia, conectando produtores de energias renováveis com consumidores. Entretanto, isso seria apenas uma fotografia do momento, visto que as tecnologias vêm se desenvolvendo de forma constante, acelerada e não uniforme em diversos locais do mundo.  

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Outras inovações utilizadas por govtechs são as que unem hardwares e softwares de coleta de dados para a criação de cidades inteligentes. Sensores e demais equipamentos podem ser espalhados por diversas localidades das cidades para, por meio de captura de dados, facilitar o gerenciamento de recursos públicos e usá-los de maneira mais eficiente, reduzindo custos, aumentando a qualidade dos serviços públicos, amenizando danos e melhorando a comunicação entre população e governo. Cidades inteligentes aliam tecnologias da informação e comunicação (TICs) que passam pelaIoT (internet das coisas) e IA (inteligência artificial). 

Em linhas gerais, a aposta das govtechs está no Governo Aberto, para que ele traga transparência, cidades mais inteligentes, usando tecnologias de IoT e IA; e o famigerado metaverso. O futuro, por mais distante que pareça, está acontecendo agora.

Artigo originalmente publicado em coluna no portal MTI Tecnologia, no dia 08/03/2022:  https://www.mtitecnologia.com.br/tecnologia-e-govtechs-tendencias-e-perspectivas/