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Por Diogo Catão – CEO Dome Ventures

O ano de 2022 está se encerrando, e, em partes, ele superou as expectativas criadas em torno da economia, tendo contado com uma boa aceleração no primeiro e no segundo trimestres do ano. Inclusive, a expectativa era que o PIB, inicialmente, chegasse a 0,6% de crescimento anual, e, logo depois, essa expectativa foi reajustada para próximo dos 3% pela própria Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Já no terceiro trimestre, houve uma pequena desaceleração, mas ainda com crescimento, e espera-se que no quarto trimestre de 2022 se contabilize um pouco mais de desaceleração, estabilizando um crescimento próximo a 3%, 3,5% do PIB nacional.

Economia 2023: dicas para empreendedores crescerem no próximo ano

O primeiro ponto é em relação às taxas de juros básicos. Há uma grande probabilidade de que elas se mantenham altas até meados de 2023. Essa elevação pode se estender até o final do ano, muito em virtude das incertezas em torno da política orçamentária, que pode perturbar os mercados financeiros e acabar obrigando o Banco Central a mantê-las por mais tempo.

Isso pesa no crescimento econômico, porque altas taxas de juros dificultam bastante a solicitação de empréstimo dos empresários para financiar seus projetos. Então, a primeira dica é ter um caixa próprio para financiar os planos de crescimento e inovação.

O segundo ponto diz respeito à inflação. Ela deu uma ligeira reduzida no final de 2022, muito por causa do preço dos combustíveis, que têm uma forte influência no IPCA, mas isso não teve tanto impacto nos bens industriais e nos demais setores de serviços. De toda forma, também é sempre importante ficar atento a essa questão, tendo em vista que alguns setores são mais atingidos que outros, em razão desse alto valor do IPCA.

O terceiro ponto é sempre investir em inovação. Isso envolve investimentos de risco mais elevado, claro, mas com taxas de retorno muito maiores que a média também. A recomendação é investir com processos e métodos, para realmente mitigar o risco que a própria inovação por si só já tem por visar setores e áreas que ainda não foram muito bem trabalhados na economia.

Com a previsibilidade de uma taxa alta de juros, o setor bancário é um dos fortes candidatos a se manter em alto crescimento, porque são bastante favorecidos com a elevação da taxa. Falando economicamente da nova política, os setores de artistas vão ser beneficiados pelas políticas públicas, e é possível que o setor público também seja mais encorajado a ter os reajustes que, por alguns anos, não foram atendidos.

Então, o setor público, a classe artística e, do ponto de vista econômico, o setor bancário, que empresta dinheiro a juros altos, provavelmente vão ser mais beneficiados em 2023.

Por Diogo Catão – CEO Dome Ventures

De acordo com um estudo do programa de apoio à transformação digital do setor público na Universidade de Cambridge, empreendedores latino-americanos de tecnologia estão pouco conectados ao poder público. Uma das principais causas é o fato de que, historicamente, governos locais tendem a favorecer grandes empresas – uma abordagem que repele grupos jovens, como as startups, e favorece a corrupção. Além disso, os processos burocráticos desestimulam a busca de parcerias com governos.

Uma pesquisa realizada pelo Global Entrepreneurship Monitor, em 2017, confirma a análise. Hoje, apenas 12% da atividade empreendedora na América Latina foca no setor público, no serviço social ou em setores correlatos – índice inferior a quase todas as outras regiões do globo.

A questão é que, em uma sociedade 5.0, não é mais possível fugir da inovação para garantir processos mais ágeis e transparentes na área. Para isso, é necessário naturalizar a abordagem baseada no modelo de ecossistema, bem como a colaboração entre as corporações, trocando o que há de melhor entre as partes para a construção de ofertas aderentes, interessantes e eficazes a fim de atrair estados, prefeituras etc.

Estimular a criação de uma comunidade de stakeholders comprometidos com a digitalização do setor público é fundamental para essa virada. Só assim será possível permitir o fluxo de ideias, conhecimento, produtos e serviços entre fornecedores inovadores e governos.

É preciso reunir pessoas e instituições em torno de uma ideia central: construir uma agenda para transformar o Brasil em um país digital. A crescente aplicação de novas tecnologias como blockchain, inteligência artificial e robótica tem possibilitado, ao redor do mundo, maior eficiência e transparência na realização de políticas públicas e na relação entre governos e cidadãos. Alinhadas com as necessidades de cada governo, essas tecnologias se tornam importantes ferramentas para a redução de burocracias e melhoria da qualidade de vida das pessoas.

Dentro dessa estratégia, as venture builders podem acelerar o processo de identificação de oportunidades e fazer a conexão entre as startups e os governos, mostrando o caminho das pedras para os atores envolvidos. É da natureza das startups começarem com uma boa ideia e equipe enxuta. No início, poucos são os seus recursos e a estrutura é mínima para desenvolverem produtos e negócios. Com as govtechs, ainda existem algumas particularidades, como a questão da compra pública, que se dá por meio de licitação. Devido a esse elemento, o caminho dessas startups precisa ser bem pensado e auxiliado por especialistas na área governamental, e é justamente esse o papel de uma venture builder: potencializar suas vantagens, dar visibilidade e proporcionar benefícios para alcançar o setor público e a população de modo geral.

A vantagem principal de uma govtech para o mercado e para a gestão pública é o ganho mútuo, tanto para o governo como para a sociedade. Com essas startups, é possível fomentar a existência de um governo mais aberto, 100% digital e transparente para a população. Por meio da tecnologia, por exemplo, pode-se reduzir o uso de papel, diminuir a emissão de carbono, deixar a economia mais sustentável e as cidades mais inteligentes – o que beneficia o cidadão, a gestão pública e o mercado.

No cenário internacional, uma pesquisa feita pela base de dados global Nebula, administrada pela StateUp, aponta que o setor govtech pode alcançar US$ 1 trilhão no mundo até 2025. Hoje, o mercado vale em torno de US$ 400 bilhões a US$ 500 bilhões. Ou seja, em curto espaço de tempo a estimativa é que esse número possa crescer muito. O que diz bastante sobre o desenvolvimento do setor em nível internacional.

Já no Brasil, o meio govtech ainda necessita de mais olhares para o seu desenvolvimento. Infelizmente, há pouca pesquisa e dados relevantes por aqui. Os números estão desatualizados, já que é um mercado em constante crescimento e transformação. Se a gente for analisar o número, friamente, apenas 80 govtechs têm atuação mais relevante no país, de acordo com relatório feito pelo BrazilLAB e CAF (2020), o que pode ser considerado baixo.

No entanto, podemos afirmar que há um interesse cada vez maior de startups se tornarem govtechs e criarem soluções voltadas para o governo. O cenário hoje já é muito positivo. É importante focar em fazer mudanças legislativas, culturais e investir na promoção da pauta como aliada para o setor público resolver seus problemas. Assim, é possível aproveitar todo o potencial que esse novo modelo de negócio pode trazer para todas as esferas da sociedade.

Artigo originalmente publicado em coluna no portal Startupi, no dia 04/10/2022 – https://startupi.com.br/como-incentivar-a-criacao-de-govtechs/

Por Diogo Catão – CEO Dome Ventures

Uma Venture Builder Govtech atua como sócia estratégica das startups em diversas frentes: com metodologia de buildagem própria (no caso em questão, focada em soluções para o setor público); inteligência de mercado; desenvolvimento estratégico e vendas; auxílio nos processos administrativos; mentoria; e apoio na captação de investimentos.

Tudo isso com o propósito de provocar uma transformação digital nas instituições públicas. É da natureza das startups começar com uma boa ideia e uma equipe enxuta. No início, poucos são os recursos e mínima é a estrutura para desenvolver o produto e os negócios.

Com as govtechs ainda existem algumas particularidades, como a questão da compra pública, que se dá por meio de licitação. Por causa desse elemento, o caminho dessas startups precisa ser bem pensado e auxiliado por especialistas na área governamental, e é justamente esse o papel de uma venture builder. Potencializar suas vantagens, dar visibilidade a elas e proporcionar que seus benefícios alcancem o setor público e a população de um modo geral é a missão.

A vantagem principal de uma startup govtech para o mercado e para a gestão pública é o ganho mútuo: tanto para o governo como para a sociedade. Com as govtechs, é possível um governo mais aberto, 100% digital e transparente para a população.

Por meio da tecnologia, por exemplo, é possível reduzir o uso de papel a quase zero, diminuir a emissão de carbono, deixar a economia mais sustentável e as cidades mais inteligentes – o que beneficia o cidadão, a gestão pública e o mercado.

No cenário internacional, é possível afirmar que o setor govtech pode alcançar 1 trilhão de dólares no mundo até 2025. Esses dados são de pesquisa feita pela base de dados global Nebula, administrada pela StateUp. Hoje, o mercado vale em torno de 400 bilhões a 500 bilhões de dólares. Ou seja, em um curto espaço de tempo, a estimativa é que esse número possa crescer muito. Isso diz bastante sobre o desenvolvimento do setor govtech a nível internacional.

Já no Brasil, o meio govtech ainda necessita de mais olhares para o seu desenvolvimento. Infelizmente, há pouca pesquisa e poucos dados relevantes sobre as govtechs no Brasil. Eles estão desatualizados, já que é um mercado em constante crescimento e transformação.

Um dos maiores players do mercado govtech do Brasil, a BrazilLAB, publicou, em conjunto com o CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina), um relatório sobre “As startups govtech e o futuro do governo no Brasil”. Porém, o levantamento foi publicado em 2020 e o cenário já mudou bastante de lá pra cá.

Sobre os resultados que as govtechs mostram no mercado, ainda não é possível mapear de maneira precisa, já que são empresas de capital privado que não estão na bolsa de valores. Porém, é possível perceber que novos canais de acesso estão disponíveis, que as empresas estão numa crescente e utilizam novas ferramentas, como o Marco Legal das Startups. Os meios tradicionais de contratação estão a pleno vapor, dando uma esfriada no segundo semestre devido, principalmente, ao período eleitoral.

Temos alguns bons cases brasileiros no cenário govtech, como a ESIG Group, que criou o sistema SIGAA, presente em mais de 30 universidades públicas no país; o Gesuas, que desenvolveu um prontuário online para assistência social e ficou em primeiro lugar no Ranking 100 Open Startups; e a 1Doc, que, com a proposta de reduzir o gasto com papel, já tem mais de 500 clientes espalhados pelo Brasil, entre prefeituras e órgãos públicos.

É possível notar que há um interesse cada vez maior em startups se tornarem govtechs e criarem soluções voltadas para o governo. Uma venture builder que é focada em govtech tem todo o know-how necessário para uma startup conduzir esse processo de transição, trazendo suas soluções, antes oferecidas apenas para o mercado B2B, também para o B2G. Assim, é possível ser otimista com essa transformação digital.

Vamos observar os próximos anos e ficar atentos para os grandes avanços do setor govtech e o que de mais relevante essas startups vão proporcionar para a gestão pública e para a sociedade.

Artigo originalmente publicado em coluna no portal Startupi, no dia 24/07/2022: https://startupi.com.br/govtech-venture-building/

Por Diogo Catão – CEO Dome Ventures

A digitalização dos processos, o armazenamento em nuvem e o desenvolvimento de ferramentas como a Internet das Coisas, fazem com que, cada vez mais, as empresas precisem armazenar, em servidores, seus dados e de seus consumidores. Mediante aos avanços da digitalização, o debate acerca da proteção de dados e informações ganhou mais notoriedade, e com isso a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) foi implementada para estabelecer um padrão nas normas de segurança.

A cibersegurança nada mais é do que uma proteção de sistemas de computador contra roubo, danos ou acesso indevido. Não só a parte de dados como a questão de hardware, tudo que possa causar interrupção ou entrada indevida de usuários. É uma temática extremamente importante, porque é lei, então devemos cumprir pela boa execução dela.

Ao se atacar o site de um órgão ou entidade pública muitos riscos vêm à tona. Afinal, é extremamente delicada a questão de ter acesso a um banco de dados com uma infinidade de informações que podem levar a diversos crimes: coleta de dados para um ataque direcionado a uma pessoa, utilização desses dados para enganar empresas, fazer extorsões ou abrir contas em outros bancos. Tudo depende do intuito do invasor, por isso é necessário ter bastante cuidado em relação a vazamentos, como exposição de dados sensíveis que podem ser utilizados para comercialização no mercado da deep web ou em alguma ação relacionada.

Invadir um site ou órgão público com o qual se difere politicamente também pode ser um pretexto. Isso, geralmente, se dá com equipes de profissionais que são extremamente qualificados para fazer ataques sem deixar rastros.

Ademais, precisamos nos proteger de difamações, ameaças tecnológicas, que são os próprios vírus, bugs, defeitos técnicos de invasão na web, sabotagens, fraudes de próprio erro humano ou um descuido e senhas compartilhadas.

Tudo que mencionei até agora é num contexto geral. Colocando em foco as govtechs, startups que têm como propósito gerar inovação para a gestão pública, possivelmente sejam mais atrativas aos hackers por conterem dados extremamente sensíveis, como os oriundos da declaração do Imposto de Renda. Assim como dados de bancos, empresas de sistema financeiro, que tratam com essa sensibilidade, as govtechs têm dados do governo também, que podem ser comercializados e, dessa maneira, prejudicar pessoas, empresas e até mesmo os próprios órgãos públicos.

Para evitar isso, é preciso adotar controles físicos, tecnológicos e humanos personalizados que viabilizem a administração dos riscos e criem um nível de segurança adequado ao negócio, à instituição pública. É difícil, mas não é impossível evitar os ataques cibernéticos. Adotar medidas como realizar um mapeamento, uma matriz de risco e identificar o que se pode fazer; criar objetivos de segurança; garantir a consistência de dados, prevenindo a criação não autorizada e alteração de instituição de dados; garantir a legitimidade dos usuários e tantas outras formas são viáveis.

Investir nessas áreas é o caminho que vai garantir a confidencialidade, integridade, disponibilidade, autenticidade e a legalidade, pilares da segurança da informação na sua empresa, seja ela uma govtech, ou não.

Por Diogo Catão – CEO Dome Ventures

Segundo pesquisa do BrazilLAB, existem ao menos 135 startups que podem ser enquadradas como govtechs nos critérios do estudo; 80 delas são consideradas mais relevantes porque já estão inseridas em algum governo ou se mantêm desenvolvendo trabalhos em determinado órgão de maneira recorrente. 

Com esse movimento, percebemos uma tendência na descentralização da governança nas instituições públicas. Essa ação se revelará ainda mais com a participação ativa de startups, instituições e demais setores nas tomadas de decisões. Não à toa, um estudo da ABStartups mostrou que, das 13 mil startups estimadas no ecossistema brasileiro, quando questionadas sobre o público-alvo que buscam alcançar, 31 se denominam como empresas B2G/B2Gov e 9 sinalizam interesse em trabalhar com o governo.

Para os investidores, o desenvolvimento e progresso dessas empresas se refletem tanto no retorno econômico, com a geração de impacto social, como também no retorno do investimento financeiro, com potencial de alcançar faturamentos elevados. Isso faz com que esses players continuem investindo e fomentando novas ideias, gerando um ciclo virtuoso.

Em médio prazo, as govtechs que já possuem soluções desenvolvidas, podem aplicá-las visando o benefício da população de um município, ou de qualquer outro órgão público. Essas startups devem promover serviços essenciais, melhorando a qualidade de vida, o bem-estar e/ou a saúde da sociedade. 

Sob o ponto de vista de quem empreende e cria uma govtech, encontram-se diversas oportunidades no segmento, ao passo que se constatar obstruções, pode enfrentá-las criando um campo de novas metodologias e oportunidades. Consequentemente, essas ações irão gerar mais oportunidades de negócios para impactar o setor público e a população.

Para quem tem interesse na criação de uma govtech, deve-se levar em consideração os mesmos passos para desenvolver qualquer empresa. Mas ressalto aqui três dicas importantes:  

1 – A percepção dos problemas e a identificação de qual tecnologia pode colaborar para uma  solução. A diferença é que essa percepção deve ser direcionada à esfera pública (municipal, estadual ou federal);

2 – Estar presente nos desafios que são lançados constantemente pelo próprio poder público. Assim, é possível conseguir as primeiras validações da solução, como também apurar se aquilo que o founder pensou, de fato, é relevante e tem capacidade de gerar valor para o setor e a sociedade;

3 – Por fim, é importante se conectar com parceiros estratégicos do próprio segmento, como incubadoras, govtechs, venture builders ou aceleradoras que atuam no desenvolvimento do mercado. Em conjunto com esses parceiros, a nova govtech pode replicar a solução em outros municípios ou estados para se desenvolver, crescer e escalar. 

Criar uma govtech envolve uma vantagem principal: o mercado em expansão à frente, com muito a ser explorado e recursos financeiros. Entretanto, para uma startup desse segmento se tornar relevante, é necessário validar se o problema encontrado é compartilhado por diversos municípios e/ou estados. Ou seja, é preciso constatar que a sua solução é replicável em diversos cenários.

Por fim, meu principal conselho para quem deseja ingressar nesse ecossistema: não tenha medo de inovar. O setor govtech é um mercado em ascensão que precisa de novas soluções. As esferas públicas demandam soluções tecnológicas, mas principalmente, a sociedade necessita de agentes transformadores que promovam bem-estar, serviços de qualidade e afastem a burocracia do caminho.

Artigo originalmente publicado em coluna no portal Startupi, no dia 24/07/2022: https://startupi.com.br/inovacao-sem-medo-tres-dicas-para-criar-uma-startup-govtech/

Por Diogo Catão – CEO Dome Ventures

Os Investor Days são eventos completos que unem empresas com potenciais investidores e formadores de opinião, como jornalistas e analistas do segmento, com o objetivo de criar conexões e apresentar e conhecer produtos, serviços e soluções do mercado. 

Pensando em eventos dessa categoria sob o viés de startups, eles são a oportunidade perfeita para que o CEO, ou outro profissional envolvido, apresente a empresa e mostre seus pontos fortes e diferenciais para possíveis investidores, em um formato rápido e dinâmico. 

Um Investor Day é importante para todos os envolvidos. Para os investidores, é a oportunidade de conhecer novas possibilidades de negócios, examinar minuciosamente cada aspecto daquela oportunidade, tirar dúvidas e fazer networking com os profissionais envolvidos naquela solução, dali já podendo obter um acordo entre as partes e gerar uma sociedade lucrativa. É válido lembrar que o desenvolvimento das startups e o progresso delas refletem no retorno do investimento, fazendo com que esses players continuem investindo e fomentando novas ideias, o que gera um ciclo virtuoso.

3º Investor Day Govtech-04

Do ponto de vista da startup, o evento coloca sua solução à prova. No Investor Day, é possível avaliar a importância da sua solução, ouvir críticas, sugestões e comentários sobre como é possível otimizar seu negócio, gerar networking com players do mercado e, principalmente, encontrar investidores que vão atribuir capital na empresa.  

Puxando para o lado das venture builders, o encontro vai além. É possível contar com a inteligência estratégica de experts do setor e de investidores para atrair startups com potencial para o portfólio, além de despertar novos olhares do mercado, gerar buzz e aproximar novos interessados em fazer aportes na empresa. Como cereja do bolo, a conferência chama a atenção e o interesse de stakeholders – ou seja, um público qualificado e impactado pelas ações da sua empresa. Por exemplo, setores atrelados ao governo, se for uma govtech, ou à saúde, no caso das healthtechs, ou à agricultura, para as agritechs, e assim por diante.

Os benefícios dos Investor Days são enormes e podem reverberar em curto, médio e longo prazo. Em um cenário próximo, é possível atrair investidores para as startups participantes do evento, que terão a oportunidade de aprimorar o próprio negócio. Pensando em médio prazo, essas startups, uma vez com uma solução desenvolvida, podem aplicar as alternativas encontradas e beneficiar a população de um município, por exemplo, se for uma govtech. Por fim, ela pode fazer da sua solução um serviço essencial, melhorando a qualidade de vida, o bem-estar e/ou a saúde da população, em um longo período. 

Terceiro Investor Day Govtech

Vejo os Investor Days como caleidoscópios: é possível ver uma solução por diferentes perspectivas. Afinal, a ideia é que em eventos como esses participem experts de setores variados e que essas pessoas tragam consigo visões e percepções de outros aspectos do negócio, além de sugestões e provocações que podem despertar ideias e novos caminhos para as startups, estimulando o pensamento crítico e a criatividade – características fundamentais em empreendedores.

Artigo originalmente publicado em coluna no portal Startupi, no dia 24/06/2022: https://startupi.com.br/2022/06/cultura-investor-day-por-que-promover-eventos-de-captacao-de-startups/

Por Diogo Catão – CEO Dome Ventures

As cidades inteligentes (Smart Cities) visam dar respostas às necessidades sociais e econômicas da população para melhorar a eficiência operacional, compartilhar informações com o público e melhorar a qualidade do serviço governamental e bem-estar do cidadão. Isso tudo, em diversas camadas que precisam ser atingidas para que se possa alcançar os resultados esperados. 

Existem indicadores que estão sendo construídos para avaliar o nível de inteligência dos municípios e saber quais deles se encaixam como cidades inteligentes. Isso varia de país a país, mas de uma forma geral o que faz a cidade ser inteligente é a questão de governança, administração pública, planejamento urbano, tecnologia, meio ambiente, conexões internacionais, coesão social, de capital humano e claro, a economia. 

Então, são avaliadas todas essas dimensões e no final uma pontuação é dada para classificar se a cidade atingiu um indicador satisfatório e analisar se aquela é, de fato, uma smart city. 

As cidades inteligentes facilitam a vida em sociedade e a gestão pública como um todo, melhorando, desde a qualidade do serviço na área governamental, o bem-estar do cidadão até a eficiência operacional das medidas implementadas.  

Essas ações visam trazer diversas vantagens, a exemplo de semáforos conectados que recebem dados de sensores, de ambulâncias e carros, para ajustar a cadência; sensores instalados para monitorar esgotos, o índice das chuvas e de alagamentos; latas de lixo inteligentes que enviam dados, automaticamente, para as empresas gerenciarem a coleta dos resíduos e agendá-la no período adequado.  

A questão das cidades inteligentes também está vinculada a uma cidade sustentável, então elas são projetadas pensando nos impactos socioambientais positivos que podem gerar, cuidando sempre dos recursos naturais do planeta. 

E como as govtechs podem ajudar na construção de cidades inteligentes?

Essas startups, que criam soluções para o setor público, atuam facilitando os processos de administração governamental e trazem novas soluções para transformar os meios de se organizar as ações necessárias para servir a população. É papel dos governos estarem atentos às demandas sociais e nada mais eficiente do que se valer da tecnologia e soluções inovadoras para a solução desses problemas. 

Quando se fala em cidades inteligentes, principalmente no cenário brasileiro, existem alguns pilares estratégicos que as startups govtechs devem estar focando: a questão governamental, gestão e planejamento, instituição, cidadão e infraestrutura urbana. São tópicos basilares para a construção das smart cities.  

Em curto prazo, podemos esperar um caminho em que as govtechs tenham como objetivo tornar as atividades do município mais práticas, rápidas e seguras, beneficiando toda a população. De uma forma mais abrangente, as govtechs podem ajudar de maneira imediata nas áreas de segurança, governança, saúde, economia, saneamento e mobilidade. 

Nessas vertentes, soluções estão sendo desenvolvidas e aperfeiçoadas para gerar cada vez mais uma governança digital descentralizada, em que o governo atue em parceria com as govtechs.  

Já quando se fala em longo prazo, enxergamos a jornada para criar cidades cada vez mais sustentáveis, mais combativas à corrupção, na resolução de problemas socioambientais e de eficiência fiscal, transparência, além de toda a questão de transformação urbanística e tecnológica.  

A legislação vem avançando bastante, principalmente com o marco legal de startups. Esse marco criou o Contrato Público de Solução Inovadora  (CPSI), que facilita que as soluções govtech avancem de maneira bastante efetiva, com um desenvolvimento de tecnologias que visam melhorar as cidades inteligentes. 

O cenário é bastante promissor e podemos esperar muitas soluções inovadoras para transformar a vida nas nossas cidades nos próximos anos.

Artigo originalmente publicado em coluna no portal Startupi, no dia 14/04/2022: https://startupi.com.br/2022/05/o-papel-das-govtechs-na-construcao-de-cidades-inteligentes/

Por Diogo Catão – CEO Dome Ventures

A BrazilLAB estima que existam 80 startups que se destacam no segmento de govtechs atualmente. Em linhas gerais, esse setor é muito perene, a arrecadação não diminuiu o valor dos impostos. As instituições públicas, prefeituras e governos estaduais estão menos propícias ao impacto econômico, pois ainda vemos empresas privadas quebrando, mas elas continuam se mantendo e, inclusive, crescendo a demanda de soluções govtech no país.  

A questão é que cada vez mais encontramos tendências. Um governo mais aberto se incorporando ao digital, mais transparente com o cidadão. Além disso, as cidades estão buscando mais conectividade, a fim de proverem melhores soluções e agilidade de serviços à população.  

Para acompanhar esse movimento será necessário mão de obra qualificada, e por vezes ela é escassa dentro do poder público. Por isso, muitas instituições públicas estão, cada vez mais, buscando a descentralização da governança, com participação mais ativas das startups. Assim, podemos perceber uma grande oportunidade de investir em uma govtech, e possibilitar o surgimento de novo negócios. 

As govtechs também quebram-01

No entanto, como nem tudo são flores, existem riscos nessa seara. Muitos deles são inerentes ao próprio negócio, e no caso das startups, tem a questão do modelo do segmento, precificação, gastos e se ela atingiu o ponto de equilíbrio. Somados a esses riscos, as govtechs têm uma questão de burocracia maior quando falamos do setor governamental, em se tratando da formalidade, além de o medo de se associar a um órgão público ou ser taxado de corrupto. A boa notícia é que existem diversas formas de mitigar esse risco, pois muitos deles são inerentes à jornada de qualquer startup. 

Evitando o pior cenário

Uma startup govtech tem que ter todos os cuidados que uma tradicional, por assim dizer. Precisa estar bem financeiramente falando, administrar o quanto se está gastando mensalmente, faturando com estrutura, despesas, etc. Tudo isso é intrínseco a qualquer modelo seguido.  

Ainda quando se fala em govtech, basicamente só o cliente muda, e ele é o governo, que se trata de prefeituras, Câmaras Municipais e tudo mais. Esse tipo de contrato se dá por análise técnica que vai estar escrita no escopo do termo de referência dos processos licitatórios, então o respaldo é puramente técnico: capacidade de entrega, prazo de entrega dentro do período acordado, entre outros. Mas não se deve ter a mentalidade de buscar uma prefeitura/estado para evitar a quebra simplesmente, e sim para prover soluções.   

As govtechs também quebram-02

Do contrário do que se imagina, por estarem ligadas ao poder público, as govtechs têm o mesmo risco que as demais. O Life Time Value (LTV), por exemplo, é um indicador muito importante para uma startup, que se refere a quanto ela capta recursos dentro de uma base de clientes ao longo de um período. A relação dos Custos de Aquisição de Cliente com o LTV no cenário govtech é muito positiva, comparada a um B2B, ou a um B2C. Porém, poderia correr o risco se, eventualmente, ela saísse um pouco da linha das boas práticas de mercado de compliance. Mas se fizer tudo como manda o script a tendência é dar certo.  

Por isso, o cuidado financeiro, a atenção com a equipe e o fato de prover uma solução para um déficit significativo de alguma instituição pública, sempre buscando a escalabilidade, são fatores-chaves de sucesso para manter a saúde da startup e prosperar.  

Artigo originalmente publicado em coluna no portal Startupi, no dia 20/04/2022: https://startups.com.br/artigo/artigo-as-govtechs-tambem-quebram-como-impedir-isso/

Por Diogo Catão – CEO Dome Ventures

Sustentabilidade. se não é, já deveria ser uma prática das empresas. A questão ambiental, hoje, é recorrente e forte entre as pessoas, instituições e na esfera pública. Um exemplo são as preocupações climáticas, como a Cop 26 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), em que diversos líderes e chefes de estados se reúnem para entrar em comum acordo acerca de desafios envolvendo o meio ambiente. Estes devem ser transformados em metas para as nações, que devem replicar e monitorar cada uma delas.  

No Brasil temos nossas metas e desafios, além de preocupações ambientais, como o desmatamento ilegal, que precisa ser erradicado. Tem a questão de restaurar e reflorestar milhões de hectares por ano, incentivar uma maior participação de energias renováveis e tantos outros. 

Govtechs e meio ambiente-01

A verdade é que precisamos minimizar essas questões ambientais, e para isso existe um conjunto de ações e medidas que podem ser tomadas justamente para favorecer algumas áreas como: comércio sustentável; conservação florestal; políticas agrícolas; programas para reduzir a fome, beneficiar o meio ambiente, facilitar o financiamento para reverter penas e degradação florestal; e assim, acelerar a transição para uma economia cada vez mais verde.  

Tais práticas procuram mitigar o impacto nocivo em relação ao que as pessoas têm quando o assunto é o meio ambiente. Sobre a redução de emissão da atividade pecuária, por exemplo, já existem estudos que conseguem a melhoria da alimentação para o ciclo pecuário, e assim é possível reduzir de três anos e meio para dois anos, o que, dentre tantos impactos, reduz as emissões de metano, contribuindo para com o meio ambiente. 

Nesse cenário, onde iniciativa privada e serviço público se encontram, as govtechs – startups que têm como propósito gerar inovação para a gestão pública – atuam enfrentando desafios relacionados a essa temática, e monitorando eventos como a Cop26, para prover soluções cada vez mais atualizadas e modernas no sentido da preservação do meio ambiente.

Aliadas às govtechs, existem diversas tecnologias e ferramentas que podem ser utilizadas para um desenvolvimento cada vez mais sustentável, como a digitalização de documentos, prática já muito adotada pelas prefeituras, que diminui ou quase zera o uso de papel. A digitalização, além de ajudar o meio ambiente, reduz os custos com despesas, já que a economia fica em torno de 90% do que era gasto com papéis.  

Portanto, a conectividade dos objetos, a Internet das Coisas – IoT, a automatização dos processos, a economia compartilhada, tudo isso visa o desenvolvimento sustentável. Quando se pensa em ferramentas, quase todas elas podem ser utilizadas para o “progresso verde”. Cabe ao perfil do gestor detectar o desafio em uma determinada cidade ou estado e adaptá-lo. É possível também utilizar da cloud computer, dados da parte de BI analytics, sistema de gestão, cibersegurança, inteligência artificial, automação de processos e tantos outros. 

Cada vez mais as cidades estão inteligentes com objetos conectados a elas, e esse é o grande ponto de convergência. As soluções estão mais próximas de nós, e com as govtechs conseguimos impactar positivamente o meio ambiente devido às vantagens que elas trazem.

Artigo originalmente publicado em coluna no portal Startupi, no dia 20/04/2022: https://startupi.com.br/2022/04/govtechs-e-meio-ambiente-como-as-startups-podem-contribuir-com-a-sustentabilidade/

Por Diogo Catão – CEO Dome Ventures

Com o crescimento das govtechs no Brasil, considerando apenas o governo federal, em 2020 houve aumento de mais de 18% em contratos de serviços de tecnologia da informação (TI), somando o valor de R$ 2,5 bilhões, segundo dados da Effecti. No mundo, a Alemanha está injetando 500 milhões de euros para digitalizar todos os processos administrativos até o fim deste ano; já a França tem como meta digitalizar seus 250 principais processos, também até terminar 2022.  

Em nível nacional, há 80 govtechs que atuam de maneira massiva junto com o governo, segundo relatório do BrazilLAB. A tendência é que essa esfera cresça cada vez mais, tendo em vista que há diversas soluções implementadas em estados e municípios que não entram nessa soma. 

Uma tendência que pode ser observada é a descentralização da governança nas instituições públicas. Essa ação se revelará através de uma participação mais ativa de startups, instituições, setores e da participação pública nas tomadas de decisões. 

Sendo assim, quando antes havia um veredito de uma equipe praticamente interna, a tendência é que haja progressivamente mais parcerias com outros setores. Esse movimento impacta diretamente o desenvolvimento e o futuro das cidades. 

Gargalos e oportunidades da esfera govtech-01

Pensando nessa propensão, novas competências vão ser exigidas para os atores desse desenvolvimento. Desta forma, cada vez mais pessoas vão adquirir mais habilidades, para que consigam atender às novas demandas de mercado.  

Existe uma infinidade de ferramentas que podem alavancar esse conhecimento, algumas delas são: Cloud Computing, cibersegurança, Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial, entre outros. Nesse ponto abordamos mais termos técnicos, entretanto é preciso um conjunto de outras competências. 

Nesse cenário, outros know-hows serão desenvolvidos e trabalhados de forma natural, seguindo as novas demandas que vão surgir. A tendência é que novas soluções despontem e se aperfeiçoem de acordo com o avanço tecnológico do setor público e consequentemente das cidades. Desse modo, espera-se cidades cada vez mais conectadas e inteligentes, o que pode se dar através da Internet das Coisas (IoT), além de almejar-se no futuro um governo mais distribuído, através de parcerias com startups govtech. Por isso a importância do desenvolvimento e da atualização desse setor, que deve gerar bons frutos. 

Desafios para govtechs

Mas ao longo do percurso, nem tudo são flores. Nesse mercado, assim como nos demais, também existem alguns desafios que precisam ser superados. Algumas dificuldades enfrentadas são o excesso de burocracia e as formalidades em diversas organizações públicas. Essas barreiras acabam afastando empreendedores com mentes brilhantes, que preferem atender à iniciativa privada em vez da pública. 

Outros tabus também são vistos no mercado govtech, como o medo de se associar à imagem de corrupção. O poder público no Brasil tem essa reputação, e ela precisa ser mais bem trabalhada. Algumas startups optam por não se envolver em negociações públicas, impossibilitando que muitas demandas que seriam importantíssimas para o governo e população existam.  

Além dessa descrença em relação aos governantes, o cenário político brasileiro também é bastante instável, tornando esse ponto outro obstáculo para o desenvolvimento do segmento govtech. Exemplos disso são a crise sanitária da covid-19, o conflito entre Ucrânia e Rússia e os desdobramentos que isso pode gerar. Isso tudo sem contar as adversidades já conhecidas do cenário brasileiro, como a desigualdade econômica e social, bem como a exclusão digital.  

Gargalos e oportunidades da esfera govtech-02

Essas incertezas mexem com a concepção do empreendedor e o faz questionar: será que vale a pena investir no setor público? Acredito que sim! Há progresso com os avanços tecnológicos e que as govtechs chegam com o propósito de desenvolver mais a sociedade, através de cidades mais inteligentes, redução de burocracia e processos mais eficientes. 

Os empecilhos e desafios estão aí para serem vencidos, e investir nas govtechs é uma das soluções, uma vez que elas visam facilitar os processos, dar mais transparência às ações do governo, gerar eficiência maior na máquina pública e impactar positivamente a sociedade. Somado a isso, a transparência e a comunicação assertiva geram melhor governança e contribuem para vencer os desafios, que é a grande virada para quem empreende.  

Conforme o empreendedor de govtechs constatar que há obstruções no setor, pode propor enfrentar esses problemas, criando um campo de novas soluções e oportunidades.  O ator dessas soluções deve aproveitar essa janela de oportunidade para estudar e criar soluções a fim de tornar o órgão em questão mais eficiente e, consequentemente, gerando chances otimistas de negócios.  

Outro destaque são as prefeituras que publicam editais, com problemas que enfrentam, para chamada de soluções apresentadas por startups, como é o caso do “Desafio COR”, promovido pelo Centro de Operações da Prefeitura do Rio de Janeiro. É um nítido exemplo da iniciativa privada e do poder público em atuação e parceria.  

Com tudo que foi exposto, é evidente que, nacional e globalmente, as govtechs têm um potencial enorme. De acordo com a consultoria McKinsey, o segmento internacional de govtechs já movimenta US$ 400 bilhões por ano, e até 2025 pode chegar a US$ 1 trilhão de faturamento. O setor é grande e ainda vai crescer, tendo em vista que há oportunidades para melhorias nos níveis municipal, estadual e federal. 

Artigo originalmente publicado em coluna no portal Startups, no dia 22/03/2022: https://startups.com.br/artigo/artigo-gargalos-e-oportunidades-da-esfera-govtech/